Márcio Canella Comando Vermelho: o que a PF aponta e o que falta
No caso Márcio Canella Comando Vermelho, a PF aponta ligação entre o deputado estadual eleito do Rio e a facção, em documento que embasou sua prisão nesta quinta (15). O elo seria um capitão da PM. Nada foi julgado. Veja quem mais foi preso.
Em resumo
- Canella (União Brasil) foi preso nesta quinta (15), na 8ª fase da Operação Unha e Carne, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
- A PF o chama de 'patrono político' de grupo que lavaria dinheiro em postos de combustíveis; a ligação com o CV, segundo o documento, passaria por um capitão da PM.
- São acusações da investigação: até a publicação, não havia condenação nem posicionamento de defesa nas fontes consultadas.
O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (15). A prisão aconteceu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, de acordo com CNN Brasil e Revista Oeste. A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Márcio Canella Comando Vermelho: o que a PF afirma
Segundo a PF, Canella seria 'patrono político' e 'articulador de alto escalão' de uma organização criminosa. Na descrição dos investigadores, ele funcionaria como elo entre o poder público, uma rede de postos de combustíveis usada para lavar dinheiro e integrantes do grupo investigado, de acordo com o InfoMoney.
O caso Márcio Canella Comando Vermelho ganha outro capítulo em um trecho do pedido enviado ao STF, citado pela Revista Oeste. O documento diz que um capitão da Polícia Militar agia como canal de interlocução entre a gestão municipal de Belford Roxo e a cúpula do Comando Vermelho. O texto cita Edgard Alves de Andrade, o Doca, apontado como atual líder do CV.
Na leitura da PF, esse intermediário teria permitido conciliar interesses da prefeitura com demandas da facção. A reportagem da Oeste resume a suspeita como obras públicas em troca de menos operações policiais. Trata-se de hipótese da investigação, e não de fato comprovado em juízo.
Quem foi preso junto com o deputado eleito
Além de Canella, a CNN Brasil lista cinco presos nesta fase:
- Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro
- Pablo Jukia Felix Ferreira, o 'Pablo Russo', agente da Polícia Civil
- Giovanni Gaspar Fernandes, agente da Polícia Civil
- José Carlos Alves de Souza Júnior, agente da Polícia Civil
- Christiano Gaspar Fernandes, secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo
O caminho do dinheiro: postos de combustíveis e cargos
Segundo a CNN Brasil, 'Pablo Russo' teria trabalhado em equipes comandadas por Amim em várias delegacias. Ele seria o verdadeiro controlador, por meio de supostos laranjas, de uma rede de postos com empresas ativas e inativas, usada para esconder e lavar recursos ilícitos. A PF afirma ainda que Canella recebia valores decorrentes dos crimes. Como indício, cita relógios de alto valor, carros de luxo e motos de grife apreendidos no inquérito.
Os investigadores também apontam um movimento político. Canella teria articulado a indicação de Amim para a presidência do Detran-RJ e, depois, para a Secretaria de Polícia Civil, inclusive com mudança legislativa na Alerj para viabilizar a nomeação. Ainda segundo a PF, ele nomeou para secretarias de Belford Roxo ex-vereadores investigados por ligação com milícia.
Segunda prisão em poucos meses
A linha do tempo ajuda a entender por que o caso pesa na política fluminense:
- 7 de julho de 2026: Canella é preso em flagrante na 6ª fase da operação, depois que agentes da PF encontram um fuzil calibre.556 no veículo em que ele estava. Ele disse, na ocasião, que a arma era do policial militar responsável por sua segurança.
- Depois da prisão: a Procuradoria Regional Eleitoral pediu o indeferimento da candidatura ao Senado, que tinha apoio de Flávio Bolsonaro (PL). O TRE-RJ liberou o registro, mas Canella desistiu e passou a disputar vaga na Assembleia Legislativa.
- Outubro de 2026: ele termina como o segundo candidato a deputado estadual mais votado do Rio, com 197.178 votos, segundo o ND Mais.
- 15 de outubro de 2026: nova prisão, agora na 8ª fase.
O que ainda não está provado
Tudo o que está acima vem de documentos da PF e de reportagens sobre eles. Prisão decretada não é condenação, e a defesa tem direito de responder. Nas fontes consultadas até as 15h07, não havia posicionamento de Canella sobre estas acusações. A CNN Brasil registra que a Corregedoria-Geral de Polícia Civil informou participar da operação, em apoio à PF.
A própria PF afirma que a ação segue as diretrizes fixadas pelo STF na ADPF 635, a chamada 'ADPF das Favelas', segundo a CNN Brasil.
O que vem agora
Os próximos passos são decisões do STF e da Justiça, como a análise da prisão e eventuais denúncias. Também está em aberto o que acontece com o mandato de Canella, já que ele foi eleito, mas está preso. Até a publicação, as fontes que consultamos não traziam confirmação oficial sobre diplomação ou posse.
Para um resumo do caso, veja Márcio Canella preso: o que se sabe e o que vem agora. Para acompanhar os outros assuntos do dia, abra tudo o que está em alta hoje no FeedNotícias.
Perguntas frequentes sobre Márcio Canella Comando Vermelho
- Por que Márcio Canella foi preso?
- Canella foi preso na 8ª fase da Operação Unha e Carne, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A PF o aponta como 'patrono político' de organização suspeita de lavar dinheiro com postos de combustíveis. As acusações ainda não foram julgadas.
- O que a PF diz sobre Márcio Canella e o Comando Vermelho?
- Segundo documento citado pela Revista Oeste, um capitão da PM atuaria como intermediário entre a gestão de Canella em Belford Roxo e a cúpula do CV. A PF trata isso como indício da investigação, e não como fato julgado.
- Quem foi preso junto com Márcio Canella?
- Foram presos o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Vinicius Amim Fernandes, os agentes da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior, e o secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes.
- Quantos votos Márcio Canella teve em 2026?
- Canella teve 197.178 votos para deputado estadual no Rio de Janeiro. Foi o segundo candidato mais votado para o cargo, segundo o ND Mais.
- Márcio Canella já tinha sido preso antes?
- Sim. Em 7 de julho de 2026, ele foi preso em flagrante depois que a PF encontrou um fuzil no veículo em que estava, na 6ª fase da mesma operação. Na ocasião, ele disse que a arma era do policial militar responsável por sua segurança.
- Canella ainda pode assumir o mandato de deputado?
- Até a publicação desta reportagem, as fontes consultadas não traziam confirmação oficial sobre diplomação ou posse. A decisão depende da Justiça e dos órgãos eleitorais e legislativos.
Fontes e referências
- PF aponta elo entre Márcio Canella e o Comando Vermelho — Revista Oeste
- Canella é 'patrono político' de organização criminosa ligada ao CV, afirma PF — InfoMoney
- Quem é Márcio Canella, eleito deputado estadual do RJ com 197 mil votos e preso pela PF — ND Mais
- PF prende Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado do RJ — CNN Brasil
- Canella era patrono político e articulador de organização criminosa, diz PF — CNN Brasil
- Comando Vermelho — Wikipedia
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